
sexta-feira, 21 de março de 2008
terça-feira, 23 de outubro de 2007
sábado, 20 de outubro de 2007
Reflexões Sobre a Vaidade dos Homens
Esse texto foi usado no vestibular da Vunesp, específica de língua portuguesa de 2005. Penso que seria interessante que todos lessem.
Reflexões sobre a Vaidade dos Homens
Vivemos com vaidade, e com vaidade morremos; arrancando os últimos suspiros, estamos dispondo a nossa pompa fúnebre, como se em hora tão fatal o morrer não bastasse para ocupação: nessa hora em que estamos para deixar o mundo, ou em que o mundo está para nos deixar, e entramos a compor e a ordenar o nosso acompanhamento e assistência funeral; e com vanglória antecipada nos pomos a antever aquela cerimônia, a que chamam as nações últimas honras, devendo antes chamá-la vaidades últimas. Queremos que em cada um de nós se entregue à terra, com solenidade e fausto, outra infeliz porção de terra: tributo inexorável! A vaidade no meio da agonia nos faz saborear a ostentação de um luxo que nos é posterior, e nos faz sensíveis as atenções que hão de dirigir-se à nossa insensibilidade. (...)
De todas as paixões, a que mais se esconde é a vaidade: e se esconde de tal forma, que a si mesmo se oculta e ignora: ainda as ações mais pias nascem muitas vezes da vaidade mítica, que quem a tem não a conhece nem distingue: a satisfação própria, que a alma recebe, é como um espelho em que nos vemos superiores aos mais homens pelo bem que obramos, e nisso consiste a vaidade em obrar o bem.
Não há maior injúria que o desprezo; e é porque o desprezo todo se dirige e ofende a vaidade; por isso a perda da honra aflige mais que a da fortuna; não porque esta deixe de ter um objeto mais certo e mais visível, mas porque aquela toda se compõe da vaidade, que é em nós a parte mais sensível. Poucas vezes se expõe a honra por amor da vida, e quase sempre se sacrifica a vida por amor a honra. Com a honra que adquire, se consola o que perde a vida; porém o que perde a honra, não lhe serve de alívio a vida que conserva: como se os homens mais nascessem para terem honra, que para terem vida, ou fossem formados menos para existirem no ser, que para durarem na vaidade. Justo fora que amassem com excesso a honra, se esta não fosse quase sempre um desvario que se sustenta na estimação dos homens, e só vive da opinião deles.
(Matias Aires Ramos da Silva de Eça. Reflexões sobre a vaidade dos homens. 1953.)
terça-feira, 21 de agosto de 2007
segunda-feira, 20 de agosto de 2007
A Verdadeira Dívida Externa

Esse texto já foi lido por Antônio Albujamra em seu programa "Provocações", da tv cultura, mesmo assim, gostaria que ele continuasse a fazer parte do pensamento de vocês.
Sobre o(a) autor(a):
Fala do cacique Guaicaipuro Cautémoc numa reunião com chefes de estado da Comunidade Européia.
A verdadeira dívida externa.
Guaicaipuro Cautémoc
Eu, Guaicaipuro Cautémoc, descendente dos que povoaram a América há 40 mil anos, vim aqui encontrar os que nos encontraram há apenas 500 anos.
O irmão advogado europeu me explica que aqui toda dívida deve ser paga, ainda que para isso se tenha que vender seres humanos ou países inteiros.
Pois bem! Eu também tenho dívidas a cobrar. Consta no arquivo das Índias Ocidentais que entre os anos de 1503 e 1660, chegaram à Europa 185 mil quilos de ouro e 16 milhões de quilos de prata vindos da minha terra!... Teria sido um saque? Não acredito. Seria pensar que os irmãos cristãos faltaram a seu sétimo mandamento.
Genocídio?... Não. Eu jamais pensaria que os europeus, como Caim, matam e negam o sangue de seu irmão.
Espoliação?... Seria o mesmo que dizer que o capitalismo deslanchou graças à inundação da Europa pelos metais preciosos arrancados de minha terra!
Vamos considerar que esse ouro e essa prata foram o primeiro de muitos empréstimos amigáveis que fizemos à Europa. Achar que não foi isso seria presumir a existência de crimes de guerra, o que me daria o direito de exigir a devolução dos metais e a cobrar indenização por danos e perdas.
Prefiro crer que nós, índios, fizemos um empréstimo a vocês, europeus.
Ao comemorar o quinto centenário desse empréstimo, nos perguntamos se vocês usaram racional e responsavelmente os fundos que lhes adiantamos.
Lamentamos dizer que não.
Vocês dilapidaram esse dinheiro em armadas invencíveis, terceiros reichs e outras formas de extermínio mútuo. E acabaram ocupados pelas tropas da OTAN.
Vocês foram incapazes de acabar com o capital e deixar de depender das matérias primas e da energia barata que arrancam do terceiro mundo.
Esse quadro deplorável corrobora a afirmação de Milton Friedmann, segundo o qual uma economia não pode depender de subsídios.
Por isso, meus senhores da Europa, eu, Guaicaipuro Cautémoc, me sinto obrigado a cobrar o empréstimo que tão generosamente lhes concedemos há 500 anos. E os juros.
É para seu próprio bem.
Não, não vamos cobrar de vocês as taxas de 20 a 30 por cento de juros que vocês impõem ao terceiro mundo.
Queremos apenas a devolução dos metais preciosos, mais 10 por cento sobre 500 anos.
Lamento dizer, mas a dívida européia para conosco, índios, pesa mais que o planeta terra!... E vejam que calculamos isso em ouro e prata. Não consideramos o sangue derramado de nossos ancestrais!
Sei que vocês não têm esse dinheiro, porque não souberam gerar riquezas com nosso generoso empréstimo.
Mas há sempre uma saída: entreguem-nos a Europa inteira, como primeira prestação de sua dívida histórica.
Ilustração: Cristiano Cordeiro
Título: Indíos do Brasil/200 etnias e 170 línguas.
domingo, 12 de agosto de 2007
Olhares...............Irmãos e Amigos
Sérgio Leandro Cordeiro.
Sem Título, 2007
Feche a porta de seu quarto
Aproveite e feche as janelas
Aproveite feche os olhos
As lágrimas, os sussurros, os murmurejos de claridade.
Feche os punhos de tua fúria
Aproveite e fecha as molduras sociais
Aproveite e feche o estomago,
A fome, os dogmas, os carijós de vaidade;
Feche a porta de seu quarto
Aproveite e feche as janelas
Aproveite feche os olhos
As lágrimas, os sussurros, os murmurejos de claridade.
Feche os punhos de tua fúria
Aproveite e fecha as molduras sociais
Aproveite e feche o estomago,
A fome, os dogmas, os carijós de vaidade;
Vistes de olhos, de corpo, de sangue.
A Tortura, torturada...
Mastigada,
Digerida,
Cuspida,
Regurgitada,
Engolida,
Retorcida,
Distorcida,
Os vastantes, os pensantes;
Trabalhudos,
Homens de carne e de memória
Feche a porta de tua censura
Aproveite e feche os passos,
Aproveite e feche os sonhos
Aproveite e feche o passado
Aproveite e feche o presente
Aproveite e olhe o futuro
Aproveite e feche a fechadura de tudo...
A Tortura, torturada...
Mastigada,
Digerida,
Cuspida,
Regurgitada,
Engolida,
Retorcida,
Distorcida,
Os vastantes, os pensantes;
Trabalhudos,
Homens de carne e de memória
Feche a porta de tua censura
Aproveite e feche os passos,
Aproveite e feche os sonhos
Aproveite e feche o passado
Aproveite e feche o presente
Aproveite e olhe o futuro
Aproveite e feche a fechadura de tudo...
Cristiano Cordeiro.
Sem Título, 2007
Queria dizer e não disse
Pois dizendo algo que não me lembro
Esqueci o que ia dizer
Voltemos ao princípio
Disse algo que não queria dizer
Algo, pois, que não me lembro dizendo
Ia dizer o que esqueci
Ao princípio voltemos
Queria dizer e não disse
Pois dizendo algo que não me lembro
Esqueci o que ia dizer
Voltemos ao princípio
Disse algo que não queria dizer
Algo, pois, que não me lembro dizendo
Ia dizer o que esqueci
Ao princípio voltemos
Sérgio Leandro Cordeiro.
Sem Título, 2oo7.
Abriu o tempo
Vastas complicações
Estrelas que minam o céu
Elucida, disperça
Idéia que salta
De um fluxo primevo
Do inconsciente
Soprei um sorriso
Por entre as encostas
De um pranto suplico
A flor tocou o chão
A chuva velou a secura das raízes
O sol amanheceu adormecido
Vinícius Cordeiro.
Sem Título, 2007.
Foi mais um dia desses que poderia ter sido o último
E que não deixo nada, para se recordar ou aprender
Não deixei nada para o mundo
E nem o mundo para mim
Se esse fosse o fim dos meus dias
Não se pareceria com o dia final
Nem com o inicio de algo,
Nem com o meio, nem com nada
Eita dia mal aproveitado!
Tive paz mais não gozei,
Tive voz e não cantei,
Tive vida e não vivi.
Sérgio Leandro Cordeiro.
Sem Título, 2007.
Caro caminho, insípido e vão
Por entrelinhas, historias e vidas
Notório amor divino e tão
Traços de meus amigos nas escritas lidas
Chamas, frestas, marotos momentos
Rasgados e poetas ao breu do luar
Desculpas, inefasto gesto de amor sem pensar
A pintura resiste em anos e tempos
Relembro por cores todas as nossas febres
Por ruas sem fim onde a solidão ausente anda
Amigos presentes por letras celebres
Meus amigos são tudo, paraíso de éden
E o que não puder contar por linhas
Pergunte aos meus amigos por idas e vindas
Onde nada percorre ou finda
E o partir sem explicação
São nossos risos derramados, nada em vão
Pois todos seremos enterrados em um só caixão
Letras pinturas poesia e coração
Rubens Gomes Cardoso.
Sem Título, 2007.
Moisés Pantolfi da Silva.
Auto-Retrato, 2006.
domingo, 5 de agosto de 2007
Desenhos no ônibus 1
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