Uma sala cheia de coisas...
Sérgio Leandro Cordeiro
Sem Título, 2007
Feche a porta de seu quarto
Aproveite e feche as janelas
Aproveite e feche os olhos
As lágrimas, os sussurros, os murmurejos da claridade.
Feche os punhos de tua fúria
Aproveite e fecha as molduras sociais
Aproveite e feche o estômago
A fome, os dogmas, os carijós da vaidade;
Vistes de olhos, de corpo, de sangue
A tortura torturada...
Mastigada,
Digerida,
Cuspida,
Regurgitada,
Engolida,
Retorcida,
Distorcida,
Os vastantes, os pensantes;
Trabalhudos,
Homens de carne e de memória
Feche a porta de tua censura
Aproveite e feche os passos,
Aproveite e feche os sonhos
Aproveite e feche o passado
Aproveite e feche o presente
Aproveite e olhe o futuro
Aproveite e feche a fechadura de tudo...
Cristiano Cordeiro
Sem Título, 2007
Queria dizer e não disse
Pois dizendo algo que não me lembro
Esqueci o que ia dizer
Voltemos ao princípio
Disse algo que não queria dizer
Algo, pois, que não me lembro dizendo
Ia dizer o que esquecei
Ao princípio voltemos
Sérgio Leandro Cordeiro
Sem Título, 2007
Abriu o tempo
Vastas complicações
Estrelas que minam o céu
Elucida, dispersa
Ideia que salta
De um fluxo primevo
Do inconsciente
Soprei um sorriso
Por entre as encostas
De um pranto suplico
A flor tocou o chão
A chuva velou a secura das raízes
O sol amanheceu adormecido
Vinícius Cordeiro
Sem Título, 2007
Foi mais um dia desses que poderia ter sido o último
E que não deixo nada, para se recordar ou aprender
Não deixei nada para o mundo
E nem o mundo para mim
Se esse fosse o fim dos meus dias
Não pareceria com o dia final
Nem com o início de algo,
Nem com o meio, nem com nada
Eita dia mal aproveitado!
Tive paz mas não gozei
Tive voz e não cantei
Tive vida e não vivi.
Sérgio Leandro Cordeiro
Sem Título, 2007
Caro caminho, insípido e vão
Por entrelinhas, histórias e vidas
Notório amor divino e tão
Traços de meus amigos nas escritas lidas
Chamas, frestas, marotos momentos
Rasgados e poetas ao breu do luar
Desculpas, inefasto gesto de amor sem pensar
A pintura resiste em anos e tempos
Relembro por cores todas as nossas febres
Por ruas sem fim onde a solidão ausente anda
Amigos presentes por letras celebres
Meus amigos são tudo, paraíso de éden
E o que não puder contar por linhas
Pergunte aos meus amigos por idas e vindas
Onde nada percorre ou finda
E o partir sem explicação
São nossos risos derramados, nada em vão
Pois todos seremos enterrados em um só caixão
Letras pinturas poesias e coração
Rubens Gomes Cardoso
Sem Título, 2007
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